segunda-feira, 18 de maio de 2015

Há Dias

Tem dia que não é de aniversário nenhum.
Suas redes estão sempre lhe apontando alguém para parabenizar. Uma pessoa, pelo menos, entre os seus vários amigos que constam lá.
Mas hoje, nenhum. Você nem precisa inventar pra si mesmo alguma desculpa para não mandar uma mensagem para aqueles menos chegados, mas que ainda assim deveriam receber seus parabéns por polidez.
Dia sem aniversário nenhum é assim, meio esquisito... Ninguém celebrando. Ninguém mandando mensagem de parabéns.
Só um dia ordinário no rol dos poucos lembrados, pra você e seus contatos comuns.

Mas há outros dias:

Tem dia que não é de livro.
Há pouca magia ao redor. Poucos personagens recheando seus espaços vazios. Esses espaços que só a eles você dá permissão de entrar.
Solidão por solidão. Nenhuma aventura ou mesmo choro. Nenhuma surpresa ou mesmo dolo.

Tem dia que é maré revolta.
Chega e engole o que você resolveu criar perto do que é belo.
Mas o belo se revolta contra você e resolve não mais o acolher.
E tudo é areia, mar e ondas.
Num vai e vem sem fim de contruções-perdas-reconstruções.

Tem dia que é insegurança. De vidro.
A qualquer hora pode quebrar.

Tem dia que não é de flor.
Inverno total.

Podia culpar o senhor tempo.
Ou mesmo culpar o senhor destino.
Mas eles bem pouco tem a ver com isso.
Se resolvi me arriscar nessa temeridade que é viver e continuar caminhando ao lado do mar, eu que aprenda a amar o que tempo e nem o destino pode levar.
Minhas marcas, aqui, me lembrando o que viver, na realidade, quer dizer.

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