terça-feira, 7 de abril de 2015

Segredo Nosso

À amiga das risadas, das loucuras na reta da vida. À amiga dos meus mundos escondidos, desvairados e divertidos, Gabriela Alves.


Falaram-me que você vive em outro mundo.
Em seu mundo. Uma dimensão paralela, meio que sua. Só sua.
Em outra terra chamada “só-minha”.
Ouvi já que a chamam de avulsa.
Gritam: lá vem a “você-mesma”. A que é distante. A que se isola.

Ei, psiu...

O que não confesso é que quero ir com você pra essa terra boa. Onde você se esconde e ouve o que eu, às vezes, nem em meus sonhos penso em ouvir.
À semelhança da toda prosa Mary Poppins, me deixa, por favor, entrar em um dos seus quadros e passear por uma das paisagens que você pintou.
Mesmo que confusa, mesmo que sua, deixe-me vê-la.

Prometo só olhar.
Prometo respeitar. Prometo não julgar.
Prometo ficar quietinho só pra observar.

Assim, me permita provar de uma de suas delícias que você prepara em forma de canção, quando outros ao redor se calam e você, supostamente, se isola.
Por favor, me deixa mergulhar abraçado a um dos seus sonhos, então, nesse mar de otimismo e bondade.

É sério, conto para ninguém.
E se me permitir, vou ser muito feliz, porque sei que abre esse espaço para poucos.
Seu mundo dos pensamentos, é delicado e frágil. Ele exige cuidados.
Arredia pela dor do mundo, você o cultiva com amor e lhe protege quando tudo ao redor quer lhe ferir.
Se você, ah, se você me deixar entrar, vou por ele passear delicadamente.
Vou colher uma ou duas rosas, em ponto colher, com seu consentimento para minha lembrança.
Vou procurar com intensidade e vou colher uma maçã bem fresquinha. A mais crocante do seu jardim, só pra dividir com você e o tempo passar por nós bem divagar.
Vou gravar em meu coração cada paisagem. Cada árvore, cada acorde que é tocado nessa terra sua.
E se lhe aprouver ainda mais, vou visita-la em seu pequeno planeta mais vezes e nele também habitar, porque em suas viagens para esse seu mundo desejo sempre estar.

Sempre me perguntei se era isolamento mesmo todo essa terra de encantamento.
Mas descobri que é um lugar para chamar de seu e dele você não deve se envergonhar, quando a ele recorrer e nele se esconder.

Vou com você, se assim, acesso as chaves dele, você me permitir também ter.