quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Tropeços [Série: Tropeços e Atrevimentos]

Estou tropeçando em meus caminhos.
Caindo sobre minhas próprias emoções.
Mas continuo seguindo meus passos.

Reergo-me meio sem jeito. Meio sem direção.
Mas sigo.
Vacilante.
Tentando.
Querendo voltar...
Porém indo.
Buscando a estabilidade que a humanidade desde sempre quis ter.
Os pés firmes e certezas que eu sempre quis ter.

Estou tropeçando.
E das marcas e cicatrizes geradas não sei se me orgulho,
Embora elas me tragam a lembrança necessária para não cair mais do mesmo jeito.
Embora veja nelas a força para segurar mais forte e evitar outras feridas.
Muitos dizem que devo me orgulhar delas.
Orgulhar-me de algo que me traz a dor do que outrora vivi?

Orgulhar-me se:
Tropecei de arrogância.
Tropecei de orgulho.
Tropecei de ignorância e incompreensão.
Tropecei por não me deixar ser ajudado, por desconfiar da ajuda oferecida.
Tropecei por insistir em seguir sozinho, no caminho onde outros passaram primeiro, pelo medo da companhia.
Tropecei de solidão.

Todavia, sei que:
Todos nós estamos tropeçando.

Assim, em fluxo contínuo.
Em constante murro em ponta de faca.
Pontapé em pedra, que insensível nem observa o nosso já penoso caminhar.

Sim. Tropeçando.
Tentando acertar os passos descompassados de toda uma história de dor.
Tentando trilhar o sonho do caminho da felicidade.

Estamos tropeçando.
Mas caminhando.
Quando vamos estender as mãos e nos ajudar?
Sem receios, ou medo de cair?

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