terça-feira, 26 de novembro de 2013

A Fase da Poesia

Há em mim uma inusitada vontade de ler poesia, ultimamente.
Sabe, daquelas que são arrebatadoras.
Daquelas que são alegres.
Daquelas boas pra ver a vida passar.
Daquelas que fazem a gente chorar.
Ou mesmo, daquelas mais doídas que, gratamente, fazem a gente pensar.
Ando querendo ler poesia, mas daquelas que fazem a gente sentir saudade.
Daquelas que retratam o cheirinho de casa, a comida fresca, toda a nossa antiga e costumeira amizade. De um jeito que parece que todos estão de volta no mesmo lugar.
E ainda quero mais ler daquelas que fazem sonhar.
De quando ainda queria ser o que hoje estou começando a me tornar.

Ah, poesia. Você se lembra de quando ainda tudo eu rimava pra ver se eu poderia lhe colocar numa fôrma? E minha você se tornar?
Eu ainda era pequeno, de me pouco as regras valiam e de verbo em verbo eu brincava de lhe criar.
Até um livro orgulhoso eu cheguei a ostentar!
Veja bem!
No entanto, hoje, você volta a me rodear.
Quando todo o mundo cinza pareceu querer se tornar.
E eu não sei, como Cora Coralina, se minha vida será curta ou longa demais, mas sei que você comigo, minha vida intensa será.

NÃO SEI
Cora Coralina

Não sei... se a vida é curta ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais,
Mas que seja intensa, verdadeira, pura... Enquanto durar"

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Um Terço

Certamente, não sou nem um terço do que já fui. No entanto, também, não era um terço do que sou hoje.
Olho para mim e me vejo diferente, agindo diferente.
Seria outro eu em mim mesmo?
Às vezes, estranho. E essa estranheza me pega de súbito.
Atitudes mais consistentes e protetoras. Menos ingenuidade e mais independência.
Teria eu amadurecido? Isso significa ser adulto?
Saberia eu lidar com esse amadurecimento a ponto dele me ser natural?
Pergunto-me isso, porque preciso perguntar. Preciso me questionar sobre os meus motivos e incentivos para tanto.
Preciso saber se a mudança foi para melhor.
Foi? Você consegue responder isso para você mesmo, quando se faz essas perguntas?
Sinto-me mais leve, mas ainda incomodado. Em paz, mas ainda inquieto com medo que ela se vá.
É certo que assim deve bastar para continuar prosseguindo, porque ainda há pelo que se lutar.
Sigo nessa roda da mudança e amadurecimento que é a vida.
Talvez, em algum momento, estagne, mas espero que quando isso acontecer, signifique que a felicidade veio para se fixar e jamais me faltar.
Sobre o restante da fração, é o que não se abala em mim e posso dizer que são valores que vão permanecer comigo para sempre, porque jamais vão perder sua importância.