quinta-feira, 11 de julho de 2013

A Solidão e o Quarto


Há uma hora em que todos dormem.
Uma hora em que todos se dirigem ao se recanto, canto, para dormir.
E é nesse momento que ficam sós.
A sós.
Consigo e sua consciência.
Sem a multidão de sons. Sem a multidão de vozes dos afazeres, seres.
Alguns fecham as portas e janelas o mais rápido que podem, para que fantasmas não os aterrorizem.
Outros, deixam-nas abertas para as lembranças e reflexões que vierem.
Nesse momento, quando todos se dirigem ao descanso, então, é quando podem, ainda no findar de mais um pequeno infinito, crescer.
Se desfazer.
E seguir em frente.
Diferente.


Riverside - Kingston Upon Thames - London - "Hesperus"
Foto: Ronni da Silva

Inspiração: http://www.youtube.com/watch?v=czF5UIJ4N6M (Minha Herança , CD "A Canção do Amor"- Diante do Trono 11)
E a conversa com meu amigo Paulo no dia de hoje, 11/07/2013. Talvez, ele não saiba, mas sempre me estimula a mudar!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

24: o Ano da minha Vida

"lembrem de mim
como de um
que ouvia a chuva
como quem assiste missa
como quem hesita, mestiça,
entre a pressa e a preguiça”

(Leminsky) 
Alguns dias antes de vir estudar em Londres, entrei no Ano da minha Vida. Completei 24 anos.
Antes ele me era algo nebuloso, incerto, do qual tinha medo.
A fama desse ano é esquisita no Brasil. Dizem, não é? Pura falácia, se me permitem mencionar.
Mas esse ano me soava, ridícula-igual e ingenuamente, esquisito. Por quê? Bem, eu sei dizer os motivos, todavia eles me são tão profundos e lacrados e doídos que é melhor deixar essa caixa bem fechada.
Tal como para um personagem de livro ao qual recentemente tive acesso. O que o sufocava de seu passado, ele os encarava, enfrentava bravamente com lágrimas intensas, e colocava em caixas bem fechadas da sua memória. Evitando que a dor voltasse e esse conteúdo fosse acessado.
Um escape? Talvez! Um alívio? Certamente.
No entanto, isso o fez seguir em frente de uma forma mais calma e muito mais feliz. Aberto ao que estava por vir.

24 estações. Ciclos se passaram.
24 desafios. Lutas foram vencidas.
24 amores. Todos muito bem sentidos.
24 vidas. Tudo muito fervorosamente vivido.
24 anos. Porque o tempo passa para todos.

Maravilhosamente, o que era medo, virou coragem. O que era tristeza, virou alegria.
O tempo passa e lava as marcas das outras estações, trazendo frescor.
Ele passa e alimenta a nossa força para lutar. Lapidando-nos com a coragem e energia para ainda continuar a viver.
Ele passa e rega com frescor o amor por nós sentido.
Passa e nos faz querer agarrar com força a vida. Antes que de nós, o sopro seja por ele levado. 
Ah, passa sim,  e nos traz a sabedoria dos anos passados. Naturalmente, o envelhecer merecido e inesperado nos alcançando.
Talvez você pense, superficialmente, que meu 24 seja o ano da minha vida, por eu ter me mudado para uma cidade nova e interessante, por ter vivenciado, recentemente, momentos muito bons. Porém, é mais do que isso, meu amigo, minha amiga. Isso é tão raso, se você pensar desse jeito...
Na verdade, é uma soma. 
Uma soma, como disse, de dor. Mas também de alegria.
De sucessivos acertos e erros. Do continuar caminhando e enfrentando o que tiver de assim o ser.
É a fabulosa soma do continuar sonhando. Acreditando. 
Em si. No outro. Em todos nós. Ainda que isso traga algum pesar e choro. Ainda que isso exija segurar forte o remo e remar em águas muito revoltas.
É o multiplicar, por assim acreditar, do que é bom ao seu redor, mesmo que o achem bobo ou ingênuo demais. 
É o alcance do que pensamos, porque você lutou por isso. Você navegou para isso e viu os primeiros raios de Sol entre aquelas nuvens pesadas e os seguiu com afinco.
Esse ano assim o será para mim, porque sonho para ele esse formato.
"24: O ano da minha vida".
O ano em quem experimentarei. Ousarei.
Com o Filho do Homem ao meu lado. Ensinando-me. Convocando-me para águas mais profundas.
Com o outro, tão importante quanto eu nesse caminhar.
Com o sonho palpável e logo ali, na esquina do próximo dia.
Corriqueiramente, de forma que, profundamente, as mudanças me alcancem e eu as vivencie sem medo com todo o deleite que merecem.
De forma que assim, todo ano seja o ano da minha vida.

Tirada por mim em um dos dias do Ano da minha Vida
Kingston Upon Thames - London