quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

2n, em que n pertence a N*


Um texto cheio de clichês, mas produto de
uma razoável viagem mental.


            Quando eu tinha seis, oito ou dez anos de idade e ainda não tinha problema com os números ímpares, imaginava que as maiores dificuldades que eu poderia enfrentar na vida estariam ligadas a uma paixãozinha não correspondida, a um jogo ou esporte que eu não soubesse praticar ou a uma história que eu não pudesse entender.
            Aos dezesseis, dezoito ou vinte anos eu comecei a ter problemas com os números ímpares, mas antes disso e, sobretudo durante e depois desses anos, outras questões vieram me afligir. Cada uma dessas questões é por mim revisitada e eu me pego analisando toda a minha vida, com o olhar de quem ainda não é capaz de fazer tantas considerações, mas que se alegra ao saber que algo foi feito, coisas boas ou ruins. Mas algo! Mas feitas! (maia de freitas!)
            Numa breve incursão sobre minha existência e seus quase 22 anos, sob a ótica dos números 2n, em que n pertence a N*, começo destacando que não nasci em um ano par, mas isso não me incomoda tanto (apenas quando tenho que preecher minha data de nascimento, até porque também não nasci em um dia par). Incomodado ou não, não há o que fazer. Se me pedissem para dizer qual o melhor ano de minha vida (duvido que alguém me pergunte isso um dia), responderia 2008. Minhas matrículas nas duas faculdades por que passei até hoje terminam em 2 e em 0, não curto trilogias, calço 42, gosto de copa e de jogos olímpicos, e de seus anos. Pausa.

            Ops, esse parágrafo não cabe muito bem aqui, mas tive vontade de escrevê-lo. Se continuar me enchendo o saco até o final do texto, irei exclui-lo. E excluirei também este comentário, por uma simples questão de desnecessidade.

            Retomando. Durante a vida vim acumulando decepções, problemas, contratempos, tristezas e por aí vai. É claro que também muito me alegrei, cresci, aprendi, amei e tal. Mas falo hoje dos problemas e de sua capacidade de nos tornar pessoas mais sensatas, fortes, determinadas e corajosas. Quando revisito minha vida, identifico a raiz das minhas determinações e do meu crescimento justamente na raiz das minhas dificuldades, e isso traz um verdadeiro alívio. Traz a prova de que o sofrimento, a angústia ou a dor têm as suas necessidades de existência.
            (No momento em que escrevo este texto um vizinho muito legal coloca R.E.M. para tocar. Eu vibro!)
            Retomando [2], não há muito o que retomar. Fica essa minha observação que é ponto de partida para entender muita coisa na vida – valorize suas dificuldades, seus tropeços, seus surtos. Eles são importantíssimos para o seu desenvolvimento. As paixõezinhas não correspondidas e os jogos que você não sabe encarar são substituídos por verdadeiras batalhas internas e golpes externos, e isso faz parte do encanto da vida.
            Desferirão mil pancadas, teremos medo de números 2n – 1, em que n pertence a N*, ou outros medos mais tolos, mas devemos buscar estar cada vez mais presente na nossa existência, enfrentando os problemas, superando e aprendendo com eles. Aproveite seu resto do ano 2x + 1, em que x = 1006.
            Abraço,
            Polin
            28-02-2013

Um comentário:

Marcela Mahatma disse...

Se dentro do finito de ser quem somos, extrapolarmos o ser e nos tornarmos sentir, tudo tende ao infinito. E aí não há par ou ímpar ou ponteiros de relógio.
A incerteza é a cereja do bolo!

PS: Lindamente escrito.