sábado, 21 de janeiro de 2012

A Prisão

Já parou para pensar que a escrita - refiro-me à necessidade de escrever - também pode ser uma maldição?
Por vezes, pego-me depositando em papel o que na verdade deveria estar jogando ao vento. Aprisiono as palavras e não digo o que tinha o dever de dizer.
Eu explico melhor.
Existem palavras e sensações que jamais caberiam em papel. E eu as diminuo ao ponto de uma folha em branco caber todo o meu dizer. Uma bênção, você poderia dizer. Uma prisão, é o que eu digo.
Quando assim as aprisiono, vejo-me vazio.
O que deveria ser acompanhado de um olhar sincero e uma certa entonação de voz nas lembranças de quem ouve, é transformado no limite de algumas palavras.
Sem o olhar. Sem a entonação. Sem o gesto. Sem o cheiro. Sem o toque. Sem a sensação.
Lastimável.
Mas, paradoxalmente, reconheço que, em muitos momentos, é a solução. Portanto, limito-me e expresso, mesmo que em cadeias, o mais profundo do meu ser em palavras, na esperança de outro ler e assim, em si, libertar tudo o que eu queria dizer.

2 comentários:

António Jesus Batalha disse...

Passei e vi seu blog e gostei, quero deixar um convite: Isto é, se o desejar, gostava que fizesse parte dos meus amigos virtuais no meu blog Peregrino e Servo. É um blog evangélico, falamos de várias coisas, e é a intenção ajudar a cada pessoa a ser mais feliz, este blog foi feito a pensar na sua felicidade, pretende também aproximar mais a criatura do seu Criador. Obrigado.

Larissa Pizetta disse...

É exatamente isso. Lindo esse texto.