terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Humanidade



- “Todos nós deveríamos perseguir essa meta: fazer o bem!”
Gabriel Chalita

- “Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia”.
Marina Colasanti [Retirado do Pequeno Livro das Grandes Emoções]

- (...) “Antes que tudo isso se fizesse
o desvalido não morreria de fome?
Conclusão:
Na prática, a teoria é outra”.
Cora Coralina [Retirado do Pequeno Livro das Grandes Emoções]


-"I don't know why the good man will fall
Why the wicked one stands
And our lives blow about
Like flags in the wind"

Brooke Fraser [Álbum Flags, Faixa Flags]

Tremo de escrever. Tremo ao escrever esse texto. Tremo por escrevê-lo.
Mas tenho de transmiti-lo.
...
Há dias venho observando a sociedade como se fosse um pesquisador. Um antropólogo ou sociólogo que tenta se colocar a parte para analisar seu objeto de estudo: os homens. A sociedade.
Confesso que fiz constatações pouco agradáveis. Arrepio-me de concluir o que concluí.
O quanto por vezes os humanos agem impiedosamente e sem pensar. Negando a si mesmos seu maior dom: o da racionalidade.
Vi alguns maltratando animais indefesos e pensei que esses animais seriam melhores do que os da raça humana. Agem pelo instinto e são mais sensatos em seu agir do que os homens.
Vi disputas de egos. Apenas pelo prazer de ser mais e usar disso para se colocar acima dos que são de sua mesma espécie.
Presenciei intrigas e difamações de tal modo reprováveis, que a moral, que também é um diferencial na sociedade, nem parecia existir entre eles.
Fome. Pobreza. Egoísmo.
Tudo isso anotei mentalmente em minhas pesquisas.
Questionei-me por que eles seriam assim se possuem a capacidade de mudar situações.
Perguntei-me, principalmente, quando liguei a televisão algumas vezes para investigar — quem sabe, outras realidades que não a que eu estava inserido —, e encontrei inúmeras notícias de corrupção e maldades contra seus concidadãos.
Imaginei se não seria loucura. Talvez, uma doença coletiva.
Todos continuam com suas capacidades cognitivas, constatei. Não sem muito ponderar. Mas por que, repito, por que não mudam a realidade ao seu redor? Por que perpetuam situações que a sua maioria considera errada?
Horrorizei-me quando li algumas pesquisas e vi que se alguns honestos, que ganham a vida com seu suor e trabalho árduo, tivessem a oportunidade e o poder de alguns desonestos, também, cometeriam as mesmas desonestidades. Absurdo!
Como observador, não deveria interferir e dar minha opinião. É uma pesquisa. Deveria apenas dar meu veredicto ao final dela. Sem interagir e, dessa forma, permitir que outros, igualmente, façam suas análises da sociedade.
Levantei uma hipótese para essas atitudes. Apenas uma que englobaria tantas outras.
“O ciclo” foi como a chamei.
Um dia um homem descobriu a desonestidade e a maldade. Além de desvendá-la, praticou-a com seus próximos. Um desastre se sucedeu pois os que foram vítimas também passaram a ser agressores. E a grande roda da loucura foi formada.
Não deveria ter me envolvido, mas acabei me deixando influenciar pelo meu objeto de estudo.
Deveria ter me afastado o quanto antes.
Mas me acometi de tristeza. Sentimento estranho para um pesquisador que faz uma boa pesquisa, cheia de detalhes e boas constatações.
Pensei no porquê de estar assim.
Os humanos eram minhas cobaias. Apenas deveria analisa-los.
Entristeci-me, porque sou, igualmente, humano. E mesmo que quisesse me manter a parte, a Terra é meu lar junto dos mesmos da minha espécie.
Chorei, porque já me peguei sendo como esses que tanto critiquei em minha análise.
Lamentei, porque é bem provável que seja pior do que muitos deles.
De observador a observado por mim mesmo.
Cheio de defeitos. Egoísta. Errado.
Louco por não mudar a realidade ao meu redor, sabendo que ela anda bem deturpada.
Choquei-me por, aparentemente, não conseguir formular nenhuma solução dentro de minha própria mente.
Desesperança, sentimento bem humano, apoderou-se de mim.
Pergunto-me: Há esperança? Houve alguém, de nossa espécie, que foi diferente?
Busquei entre os mais intelectuais e críticos da sociedade. Queria saciar minha sede de respostas.
No momento em que encontrei minha resposta, fiquei muito intrigado, porque ELE morreu pelos quais amava.
E sua história me diz que Há Esperança.
Estou o conhecendo. E tenho me surpreendido pela perspectiva de nova vida que ELE tem me ensinado.
Seu nome é Jesus e tenho caminhado junto dEle.
Viveu e morreu por mim. Caminho junto dEle, porque me deixou um Espírito Consolador, que me ensina através de Seus ensinamentos dado aos seus profetas.
Confesso que hoje sou mais feliz e tenho esperança de uma sociedade melhor.
Hoje, estou inserido na sociedade e busco transformá-la.
É possível que agora me achem o mais insano deles, porque ser diferente e querer a mudança é mais loucura ainda.

...

Sobre o Texto:
Já disse lá cima que escrevê-lo foi complicado. Ele ficou guardado para análises e reanálises por um bom tempo.
Espero que se sintam tocados assim como eu o fui ao  escrever essas linhas.
Fiquem à vontade para comentá-lo e me dizerem as suas percepções.

5 comentários:

Riziely disse...

!ue lindo Ronni! Muito bom ler sua reflexão, madura e totalmente necessária. Acredito que mtas vezes precisamos realmente nos debruçar, sobre tudo que passa ao nosso redor. Refletir na nossa pecaminosidade, e tb na dos que estão ao nosso redor. MAs que doce é perceber toda vez q refletimos, a maravilha de conhecer JESUS. E quão grande é a Sua misericórdia, que nos faz realmente abrir os olhos, pensar, raciocinar, e chegar ao simples e incrível sentido de quem foi e é Jesus.

Beijinhos!

Paulo Henrique disse...

Certamente foi duro ler seu texto. "Quanto tempo perdemos brincando de opinião, e esquecemos o que somos, simples de coração!" Que suas palavras sejam significadas por completo na vida de todos nós. Abraço.

Ronni disse...

Meus amigos, Rizi e Paul.
Obrigado por virem aqui e lerem esse que foi um dos maiores desafios pra mim nesse ano.
Passei semanas, senão meses, refletindo em como escreveria isso tudo.
De formar simplificada, saiu esse texto.
Obrigado por compartilharem suas sensações.
Voltem sempre!

Gabriel disse...

“Há dias venho observando a sociedade como se fosse um pesquisador. Um antropólogo ou sociólogo que tenta se colocar a parte para analisar seu objeto de estudo: os homens.” – Meus parabéns pela sua atitude, mais pessoas deviam se dar ao trabalho de fazer o mesmo. Como “Os Homens” é um assunto que me interessa e o texto está bem escrito, vou tentar mostrar algumas idéias. Deixo claro, desde já, que meu interesse é unicamente discutir, de forma civilizada, o tema abordado, sem ofender ninguém (por mais difícil que isso seja, quando entramos no campo da ética e do sobrenatural).

“Vi alguns maltratando animais indefesos e pensei que esses animais seriam melhores do que os da raça humana.” – É, lindas e respeitáveis palavras se vindas de um vegetariano, se não, considero pura hipocrisia, tendo em vista que milhões de animais são mortos todos os dias e vivem em condições deploráveis com o único objetivo de alimentar a raça humana. Só que esses animais ninguém vê, ou finge não vê, pois é cômodo! Mas se alguém da um tapa num cachorro daí vai todo mundo postar no facebook, porque se considera uma pessoa politicamente correta.

“Fome. Pobreza. Egoísmo.” – Realmente deplorável essa situação: Gente passando fome, abaixo do nível de pobreza e o Papa comendo em prato de ouro.

“Um dia um homem descobriu a desonestidade e a maldade. Além de desvendá-la, praticou-a com seus próximos. Um desastre se sucedeu pois os que foram vítimas também passaram a ser agressores. E a grande roda da loucura foi formada.” – Isso me lembra uma pesquisa feita uma vez com macacos, segue um link de um vídeo no youtube que explica o trabalho: http://www.youtube.com/watch?v=_8zA18LkPR4 Isso realmente nos faz refletir sobre isso que você chama de “O Ciclo” e é facilmente visualizado no ambiente universitário, no qual estamos inseridos, através do chamado “Trote”. Pessoas deram um 1ª trote numa turma de calouros, e esses calouros viraram veteranos que aplicaram outro trote em seus calouros e assim sucessivamente. E através desse evento arrisco a acrescentar uma idéia a “O Ciclo”: As vítimas só não passam a ser agressores, como também parecer que querem “aperfeiçoar” a desonestidade e maldade, seja para se beneficiar, ou seja, para fazer alguém sofrer. Porém isso é só uma idéia através da qual se pode discutir por horas temas como Natureza Humana: “O Homem é bom e a sociedade o corrompe” ou “O homem é naturalmente mau”?

“Entristeci-me, porque sou, igualmente, humano. (...) Chorei, porque já me peguei sendo como esses que tanto critiquei em minha análise.” - É triste, infelizmente somos todos humanos, todos erramos, portanto, em minha opinião, cabe a nós homens pecadores termos a humildade de reconhecer que erramos e perdoar nossos semelhantes. Pois, se não, viveremos sempre em guerra.

“Choquei-me por, aparentemente, não conseguir formular nenhuma solução dentro de minha própria mente.” – Até hoje ninguém conseguiu tal solução mágica para os problemas humanos. Portanto não se cobre tanto.

Quanto ao resto do texto não vou comentar, pois já é difícil discutir moral, ética e natureza humana. Porém isso ainda é uma coisa racional, na qual as pessoas, geralmente, não estão cegadas por uma única visão, que consideram tão brilhante que as fazem não enxergar outras coisas, e caso enxerguem simplesmente não aceitam, batendo o pé como crianças dizendo que estão certas quanto ao seu ponto de vista.
Mas, deixo uma analise psicológica. Que diz que em tempos tão difíceis, em que as pessoas por vezes são tão perversas, como você diz em seu texto, se agarrar e acreditar em uma religião ou em um deus, pode ser muito útil e trazer benefícios a saúde mental.

Desculpe se não consegui expressar minhas ideias muito bem, mas foi um texto que fiz enquanto lia o seu e não tive semanas, como você teve, para amadurecer as idéias e colocá-las no papel.
Finalizo por aqui.

Ronni disse...

Obrigado, Gabriel!
Suas análises enriqueceram e muito a discussão!
Aprecio suas palavras e confesso que elas me ajudaram ainda mais a pensar no meu texto e em suas implicações.
Volte sempre e faça esse espaço crescer mais em pensamentos e análises.
Será sempre muito bem-vindo.
Sua opinião sempre será ouvida.
Muito grato.