sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Diálogo

Esse texto nasceu em uma madrugada de conversa, relatórios, algum trabalho e pipoca. Foi escrito durante um papo muito bom que eu e meu amigo Paulo tivemos há poucos dias atrás.
Em certo momento, percebi que as falas do Paulo estavam rimando e disse que ele deveria escrever aquilo. Era mais do que conversa, era poesia.
Ele aceitou o desafio. Escreveu esse belo poema abaixo, chamado "A Casa". O título fui eu quem dei. Paulo me presenteou com essas belas palavras e ainda me permitiu nomeá-lo.
Pedi permissão para postá-lo aqui. Ele aceitou! E, pela primeira vez, abro meu blog para postar textos, não apenas citações que me inspiram, de outras pessoas.
Sintam-se à vontade para fazer parte de um pouco da nossa conversa...
A Casa
Eu tenho um sonho de adolescência
De construir uma casa de sete andares
Cada andar teria uma virtude
E eu residiria no primeiro, da virtude mais simples
E no último ficaria a virtude mais complexa
Que é difícil de alcançar
Minha casa seria de escadas
E estaria confinada entre os prédios grandes da cidade
Para que meu coração desvirtuoso
Seja cercado dos corações pulsantes do outro lado da parede
Minha casa receberia a todos
Que levariam partes de mim
Para me deixar cada vez mais aberto
E receber a todos
Que levariam partes de mim
Para me deixar cada vez mais aberto
E receber a todos os outros.
Talvez eu já tenha essa casa... internamente
A obra é só um acidente. Talvez ocorra
Mas não importará, contanto, que todos que quero
Cheguem ao meu coração
Tomei a liberdade de continuar a "conversa poética" com algumas linhas minhas. Mais uma resposta rápida para o Paulo do que um poema em si.

O coração do homem é desvirtuoso.
A miséria da humanidade é visível e, inúmeras vezes, palpável.
Um dia corro atrás de vento, em outro corro atrás do nada.
E muito pouco é o que faço para que pelo menos minha casa fique limpa.
Dias desses, passei por uma casa de sete andares. Identifiquei-me com ela.
Percebi uma pessoa diferente das outras vivendo no primeiro andar dela.
Pedi para entrar e ela, a pessoa, confidenciou-me que são muitas as dificuldades do mundo, mas que, diferente do mundo em que vivia, procurava as virtudes que todos do mundo deveriam conhecer. Representou-as por meio dos seus sete andares.
O último era, imagino eu, a virtude que para ela seria a mais complexa.
Questiono-me se um dia ela alcançará seu último andar ou se esse andar continuará desabitado.
Pensei também que se subisse, ela ficaria cada vez mais isolada das pessoas que tornavam seus dias melhores ou a desafiavam a ser mais virtuosa. A cada virtude alcançada, mais afastada das pessoas ela ficaria? Qual o benefíco disso se são justamente as qualidades humanas que tornam o planeta melhor?
Então, propus uma outra casa, uma casa na horizontal com sete cômodos. O desafio estaria em todos os ambientes. Ser virtuoso e usar de cada virtude seriam igualmente desafiantes. Existem, claro, aqueles ambientes que quero evitar mais. Mas teria de visitá-los sempre para me lembrar de que todas as virtudes devem ser exercitadas, mesmo que algumas sejam mais fáceis para mim do que outras.
Não cheguei a ouvir uma resposta desse morador tão nobre. Deixei-o ponderando.
Louvável é a iniciativa dele, mas quero que permaneça perto de mim, mesmo quando subir seus degraus.
Não coloquei um título, porque acredito que quem deve nomear meu texto é o humilde morador da casa de sete andares. Fico pensando o que ele ainda poderia me dizer e poderia me ensinar. Visitarei sua casa outras vezes e espero que nosso diálogo permaneça tão bom como o daquela madrugada. Que venham mais conversas, meu amigo!

7 comentários:

Mari disse...

Ah, meninos! Quanta doçura e sensibilidade... Deu vontade de estar nessa conversa só pra ouvir vcs, quietinha, e sair dalí melhor! Vcs precisam conversar com mais frequencia!

Ronni disse...

Mari! É sempre bem-vinda! Vem tomar um café com a gente qualquer dia desses! =)

Paula disse...

Ameeei essa duplaaaa!!!! Queria fazer parte desse papo tbm! Simplesmente Lindo! Bjos!

Andrea disse...

Muito lindo! Amei!

Andrea disse...

Muito lindo tudo isso!

Sabrina Simon disse...

Por vezes encontro situações que não me permitem comentá-las. Somente apreciá-las, por causa da limitação das minhas palavras...
Emocionante!

Fotografias: Vanda Rabelo disse...

Que nessa grande casa possam residir pessoas que se tornem parte de cada andar, igualmente, ou que pelo menos usem de uma virtude para alcançar a próxima e assim por diante...que nessa casa não entre nenhum pecado capital e que Deus me permita visitá-la sempre, para que eu possa alcançar todas as virtudes, juntamente com os seus moradores!!!