sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Mudanças a Caminho! 3 anos!

Gosto que o blog faça aniversário perto de um novo ano começar.
Faz mais sentido reavaliar o que foi feito durante o ano aniversariando. Ou, pelo menos, poupa trabalho! ...rs!
Na verdade, intensifica esse dever. Ponderar no que foi feito adquiri um senso de responsabilidade saudável e necessário!
O blog tem cumprido seu dever. Publico nele o que tenho sentido. Meus pensamentos...
Talvez, deveria publicar mais, talvez, menos, só o público para me dar esse retorno.
Retorno, essa tem sido a palavra. Foi um ano de retorno!
Recebi bastante retorno e comentários relevantes! Estamos caminhando para os 17mil acessos [antigo contador] e isso é um presente que nunca imaginei ganhar.
Obrigado a todos por caminharem comigo nesses 3 anos!  Escrevo para desabafar, mas também para compartilhar. Penso em vocês quando estou escrevendo!
Pensando em vocês, igualmente, que anuncio que o blog vai passar por algumas reformas! 
Novo layout já está sendo pensado para ele.
Espero, em breve, ele já estar com cara nova!
Que venha 2012 com seus desafios e com suas mudanças!
Continue acompanhando!
Vamos caminhar mais um pouco? =)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Os Outros

Mais uma teoria:
Imagine se o outro fosse tratado por mim como eu gostaria que eu fosse tratado.
Sempre assim.
Eu cuidando dos outros muito mais do que de mim.
E todas as pessoas passassem a fazer o mesmo. Olhar o próximo como a si mesmas.
Somando, multiplicando e também dividindo e diminuindo, toda essa conta estaria, de certa forma, pendendo para mim.
Porque eu cuido dos outros e os outros de mim.
São muitos para mim e poucos de mim para os outros.
O bem estaria realizado, porque de mim em mim, os outros seriam em muito maior número para mim.
Eu para os outros.
E os outros...
Vocês sabem, e devo dizer, os outros para mim.
Um bonito ciclo, onde quem cuida do outro é cuidado por esses muitos outros.


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Humanidade



- “Todos nós deveríamos perseguir essa meta: fazer o bem!”
Gabriel Chalita

- “Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia”.
Marina Colasanti [Retirado do Pequeno Livro das Grandes Emoções]

- (...) “Antes que tudo isso se fizesse
o desvalido não morreria de fome?
Conclusão:
Na prática, a teoria é outra”.
Cora Coralina [Retirado do Pequeno Livro das Grandes Emoções]


-"I don't know why the good man will fall
Why the wicked one stands
And our lives blow about
Like flags in the wind"

Brooke Fraser [Álbum Flags, Faixa Flags]

Tremo de escrever. Tremo ao escrever esse texto. Tremo por escrevê-lo.
Mas tenho de transmiti-lo.
...
Há dias venho observando a sociedade como se fosse um pesquisador. Um antropólogo ou sociólogo que tenta se colocar a parte para analisar seu objeto de estudo: os homens. A sociedade.
Confesso que fiz constatações pouco agradáveis. Arrepio-me de concluir o que concluí.
O quanto por vezes os humanos agem impiedosamente e sem pensar. Negando a si mesmos seu maior dom: o da racionalidade.
Vi alguns maltratando animais indefesos e pensei que esses animais seriam melhores do que os da raça humana. Agem pelo instinto e são mais sensatos em seu agir do que os homens.
Vi disputas de egos. Apenas pelo prazer de ser mais e usar disso para se colocar acima dos que são de sua mesma espécie.
Presenciei intrigas e difamações de tal modo reprováveis, que a moral, que também é um diferencial na sociedade, nem parecia existir entre eles.
Fome. Pobreza. Egoísmo.
Tudo isso anotei mentalmente em minhas pesquisas.
Questionei-me por que eles seriam assim se possuem a capacidade de mudar situações.
Perguntei-me, principalmente, quando liguei a televisão algumas vezes para investigar — quem sabe, outras realidades que não a que eu estava inserido —, e encontrei inúmeras notícias de corrupção e maldades contra seus concidadãos.
Imaginei se não seria loucura. Talvez, uma doença coletiva.
Todos continuam com suas capacidades cognitivas, constatei. Não sem muito ponderar. Mas por que, repito, por que não mudam a realidade ao seu redor? Por que perpetuam situações que a sua maioria considera errada?
Horrorizei-me quando li algumas pesquisas e vi que se alguns honestos, que ganham a vida com seu suor e trabalho árduo, tivessem a oportunidade e o poder de alguns desonestos, também, cometeriam as mesmas desonestidades. Absurdo!
Como observador, não deveria interferir e dar minha opinião. É uma pesquisa. Deveria apenas dar meu veredicto ao final dela. Sem interagir e, dessa forma, permitir que outros, igualmente, façam suas análises da sociedade.
Levantei uma hipótese para essas atitudes. Apenas uma que englobaria tantas outras.
“O ciclo” foi como a chamei.
Um dia um homem descobriu a desonestidade e a maldade. Além de desvendá-la, praticou-a com seus próximos. Um desastre se sucedeu pois os que foram vítimas também passaram a ser agressores. E a grande roda da loucura foi formada.
Não deveria ter me envolvido, mas acabei me deixando influenciar pelo meu objeto de estudo.
Deveria ter me afastado o quanto antes.
Mas me acometi de tristeza. Sentimento estranho para um pesquisador que faz uma boa pesquisa, cheia de detalhes e boas constatações.
Pensei no porquê de estar assim.
Os humanos eram minhas cobaias. Apenas deveria analisa-los.
Entristeci-me, porque sou, igualmente, humano. E mesmo que quisesse me manter a parte, a Terra é meu lar junto dos mesmos da minha espécie.
Chorei, porque já me peguei sendo como esses que tanto critiquei em minha análise.
Lamentei, porque é bem provável que seja pior do que muitos deles.
De observador a observado por mim mesmo.
Cheio de defeitos. Egoísta. Errado.
Louco por não mudar a realidade ao meu redor, sabendo que ela anda bem deturpada.
Choquei-me por, aparentemente, não conseguir formular nenhuma solução dentro de minha própria mente.
Desesperança, sentimento bem humano, apoderou-se de mim.
Pergunto-me: Há esperança? Houve alguém, de nossa espécie, que foi diferente?
Busquei entre os mais intelectuais e críticos da sociedade. Queria saciar minha sede de respostas.
No momento em que encontrei minha resposta, fiquei muito intrigado, porque ELE morreu pelos quais amava.
E sua história me diz que Há Esperança.
Estou o conhecendo. E tenho me surpreendido pela perspectiva de nova vida que ELE tem me ensinado.
Seu nome é Jesus e tenho caminhado junto dEle.
Viveu e morreu por mim. Caminho junto dEle, porque me deixou um Espírito Consolador, que me ensina através de Seus ensinamentos dado aos seus profetas.
Confesso que hoje sou mais feliz e tenho esperança de uma sociedade melhor.
Hoje, estou inserido na sociedade e busco transformá-la.
É possível que agora me achem o mais insano deles, porque ser diferente e querer a mudança é mais loucura ainda.

...

Sobre o Texto:
Já disse lá cima que escrevê-lo foi complicado. Ele ficou guardado para análises e reanálises por um bom tempo.
Espero que se sintam tocados assim como eu o fui ao  escrever essas linhas.
Fiquem à vontade para comentá-lo e me dizerem as suas percepções.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Fragmentos do Viver


‎"Litteratura orta corde facit chartam magis pretiosam quam aurum". //  

A literatura nascida do coração torna o papel mais precioso que o ouro.


Tanto pra dizer, tanto pra doar, tanto pra sentir, tanto pra viver...
São esses meus sentimentos e pensamentos. Tanto que quero, que chega a doer ou a me “embobecer”.
E sem coragem de sair, a vontade cresce e ganha volume em um pequeno espaço. Se agiganta e toma conta.
Invade-me e me faz, finalmente, tomar atitudes para viver o meu tanto querer.
Viver. É esse o verbo.
Vontade é um dos combustíveis do viver.
De viver e sentir vontade eu vou é buscar minha satisfação.
Não por puro e mero prazer.
Mas para me sentir completo e a outros igualmente poder preencher.
É o alívio de uma saudade que a gente nem sabia que sentia;
É o medo que devagar se torna pequeno demais para ser sentido;
É a vontade que se avoluma no peito;
É a ausência de certezas que angustia.
Vou caminhando e aprendendo.
Nem sempre em terreno sólido, nem sempre em lugares bonitos.
Mas sim em caminhos necessários para compor o cenário da minha vida, do meu ser.
Nem tudo é certeza, porque o caminho é construído a cada passo.
Em alguns momentos a sós. Em outros, em boas companhias.
Clarice tinha toda razão. O destino sempre faz arranjos melhores que os nossos. Nós não sabemos quase nada. Apenas supomos vagamente.

SUPONHO:
“Ter atitude nem sempre é sinônimo de agir”.
Nesses terrenos por onde ando, está aí o agir. E, com certeza, ele está inserido num âmbito maior do que o das minhas suposições.
Regendo minhas atitudes, o meu viver.

SUPONHO:
“O tempo que sabe mais do destino que nós.”
Nós que não sabemos quase nada, nem sobre o tempo, nem sobre o destino...
E deixo-me assim temperar, porque de suposições e viver. Prefiro continuar a me impressionar com o que a vida tem a me oferecer.

...
*Esse texto me foi dado de presente pela Mariana. Na verdade, ela me ofereceu o que chamou de fragmentos, de maneira que eu os completasse. Contou-me um pouco do que estava vivendo numa excelente conversa de amigos, o que me proporcionou uma real dimensão de como o texto deveria ser. 
Mari, obrigado. Considero-me um sortudo por conhecê-la e, mais ainda, por poder completar um texto seu. Uma parceria que, com certeza, deu certo. Seus fragmentos me encheram de sentimentos bons. Obrigado, mais uma vez.
**Você também, caro leitor, deve conferir esse texto aqui: 
http://cheirodeflor-ensaios.blogspot.com/ (Blog da Mariana)
***Fica a curiosidade de saber quais eram os framentos. Hoje, não mais os são. Formam um belo poema ao viver. Carpe diem.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O Diálogo continua...

Olá!
Meu amigo Lucas Rolim escreveu um texto para dialogar com a postagem "Diálogo" que coloquei aqui há um tempo.
Ele se chama "Eu pertenço a essa casa" e pode ser encontrado aqui.
O texto "Diálogo", como vocês bem se lembram, foi uma espécie de conversa entre mim e outro amigo meu chamado Paulo.
Sintam-se à vontade para entrar na conversa também!
Avisem-me se escreverem algo. Será um prazer compatilhar com mais gente nossos diálogos!

domingo, 30 de outubro de 2011

A Simplicidade


...
Da outra vez que estive aí, não reparei em você. No quão verdinha e serena você é.
Reparei sim na grandiosidade das águas e no passear ousado dos pássaros ao voar perto, bem perto de tão grande manifestação de poder.
As águas a cada passo me chamavam, naquela vez. Maravilhei-me ao ver as quedas e o contorno que elas adquiriam ao seguir seu curso para banhar e trazer vida em outros lugares.
Quando visitei essas águas que impressionam, não imaginava que poderia voltar e me encantar novamente com elas tão cedo. Tolo fui eu. É da natureza delas o encantar e nos deixar sem palavras. E foi assim, mais uma vez.
Mas o que não esperava mesmo era me deparar com tamanha singeleza. Uma singeleza oculta, que poucos, talvez, percebem e se deixam encantar.
Quando estamos perante de algo majestoso, é muito pouco provável que queiramos nos engrandecer, porque qualquer tentativa nesse sentido é frustrada imediatamente pela majestade ali presente.
No entanto, você, minha amiga, com sua simplicidade e humildade ao se deixar banhar. Com sua resignação ao crescer limitadamente sob a sombra das imensas cataratas, ensinou-me.
Mais do que me maravilhar ou me encantar, o ensinamento é algo que fica e me preenche muito mais.
Aprendi com você que, para sermos viçosos e bonitos, não precisamos ser grandes e poderosos.
Aprendi que força é muito mais do que demonstração de glória. Força é saber se posicionar e se colocar na posição que nos cabe com dignidade, ainda que essa posição seja temporária e não muito estimada pelos outros quanto gostaríamos que fosse.
Além disso, o que de maior valor você me ensinou foi que a simplicidade compõe a melodia da beleza de uma forma que faz a vida ser harmoniosa e vivida melhor. Você poderia querer ser grande a fim de encobrir as quedas, mas se limita, porque sabe que sua singeleza também é bela. Em consonância com as notas da natureza, sua simplicidade me surpreende tanto quanto as muitas águas.
Observar você, em sua pequenez, fez-me saber que nunca serei menos por optar pela simplicidade. Pelo contrário, a nobreza de ser assim é saber exatamente do que preciso e isso quer dizer ser muito mais.
É saber exatamente quem me criou, quem eu sou e o que estou destinado a ser. 

*Dedicado aos amigos que estiveram comigo nessa segunda vez na linda maravilha da natureza: As Cataratas do Iguaçu. Igualmente, a Izadora, por ele, o texto, ter nascido no dia de seu aniversário e ela ter muitas das características da plantinha.
Ronni Anderson G. da Silva (26/10/11)

sábado, 24 de setembro de 2011

Sobre a Escrita

Quero que ela exista. Flua. Seja natural.
Que me leve. Envolva-me. Tire-me o sono.
Em minha língua, em várias línguas.
Que valha a pena.
Desperte interesse. Traga saudade. Expurgue os males.
Que ela igualmente o leve.
Nos leve.
L'écriture lève* nous.
Elle lève vous.

*Tome cuidado, leitor, o verbo "lever" em francês quer dizer levantar. 




sábado, 3 de setembro de 2011

Para o Filho Pródigo

Não sei por que você se foi.
Imagino, apenas. O aconchego do lar sempre me foi tão mais chamativo.
Os prazeres sempre me chamam também, sabe. Acho que você não resistiu. Eu acho, vou frisar.
O chamado é de independência. Encontrar seu próprio caminho. Divertir-se sem dar satisfação a ninguém.
É bom, admito. Deve ser. Muitos optam por esse caminho.
Papai o deixou ir. Você pôde escolher.
Sei também que permitiu, mas que continua querendo a sua volta. Ele não ignora o fato de que certas coisas têm de ser perdidas para que outras possam ser encontradas.
Quando tudo disser não. Volte!
Porque é certo que será bem-vindo.
As coisas de casa lhe serão melhor percebidas e apreciadas.
E as do mundo... Ah, mas essas, você e o Pai nem vão se lembrar mais. 
Nosso Pai perdoa e, com certeza, vai querer acompanhar seus passos dali para frente.

*De alguém que resolveu ficar.  

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Diálogo

Esse texto nasceu em uma madrugada de conversa, relatórios, algum trabalho e pipoca. Foi escrito durante um papo muito bom que eu e meu amigo Paulo tivemos há poucos dias atrás.
Em certo momento, percebi que as falas do Paulo estavam rimando e disse que ele deveria escrever aquilo. Era mais do que conversa, era poesia.
Ele aceitou o desafio. Escreveu esse belo poema abaixo, chamado "A Casa". O título fui eu quem dei. Paulo me presenteou com essas belas palavras e ainda me permitiu nomeá-lo.
Pedi permissão para postá-lo aqui. Ele aceitou! E, pela primeira vez, abro meu blog para postar textos, não apenas citações que me inspiram, de outras pessoas.
Sintam-se à vontade para fazer parte de um pouco da nossa conversa...
A Casa
Eu tenho um sonho de adolescência
De construir uma casa de sete andares
Cada andar teria uma virtude
E eu residiria no primeiro, da virtude mais simples
E no último ficaria a virtude mais complexa
Que é difícil de alcançar
Minha casa seria de escadas
E estaria confinada entre os prédios grandes da cidade
Para que meu coração desvirtuoso
Seja cercado dos corações pulsantes do outro lado da parede
Minha casa receberia a todos
Que levariam partes de mim
Para me deixar cada vez mais aberto
E receber a todos
Que levariam partes de mim
Para me deixar cada vez mais aberto
E receber a todos os outros.
Talvez eu já tenha essa casa... internamente
A obra é só um acidente. Talvez ocorra
Mas não importará, contanto, que todos que quero
Cheguem ao meu coração
Tomei a liberdade de continuar a "conversa poética" com algumas linhas minhas. Mais uma resposta rápida para o Paulo do que um poema em si.

O coração do homem é desvirtuoso.
A miséria da humanidade é visível e, inúmeras vezes, palpável.
Um dia corro atrás de vento, em outro corro atrás do nada.
E muito pouco é o que faço para que pelo menos minha casa fique limpa.
Dias desses, passei por uma casa de sete andares. Identifiquei-me com ela.
Percebi uma pessoa diferente das outras vivendo no primeiro andar dela.
Pedi para entrar e ela, a pessoa, confidenciou-me que são muitas as dificuldades do mundo, mas que, diferente do mundo em que vivia, procurava as virtudes que todos do mundo deveriam conhecer. Representou-as por meio dos seus sete andares.
O último era, imagino eu, a virtude que para ela seria a mais complexa.
Questiono-me se um dia ela alcançará seu último andar ou se esse andar continuará desabitado.
Pensei também que se subisse, ela ficaria cada vez mais isolada das pessoas que tornavam seus dias melhores ou a desafiavam a ser mais virtuosa. A cada virtude alcançada, mais afastada das pessoas ela ficaria? Qual o benefíco disso se são justamente as qualidades humanas que tornam o planeta melhor?
Então, propus uma outra casa, uma casa na horizontal com sete cômodos. O desafio estaria em todos os ambientes. Ser virtuoso e usar de cada virtude seriam igualmente desafiantes. Existem, claro, aqueles ambientes que quero evitar mais. Mas teria de visitá-los sempre para me lembrar de que todas as virtudes devem ser exercitadas, mesmo que algumas sejam mais fáceis para mim do que outras.
Não cheguei a ouvir uma resposta desse morador tão nobre. Deixei-o ponderando.
Louvável é a iniciativa dele, mas quero que permaneça perto de mim, mesmo quando subir seus degraus.
Não coloquei um título, porque acredito que quem deve nomear meu texto é o humilde morador da casa de sete andares. Fico pensando o que ele ainda poderia me dizer e poderia me ensinar. Visitarei sua casa outras vezes e espero que nosso diálogo permaneça tão bom como o daquela madrugada. Que venham mais conversas, meu amigo!

sábado, 25 de junho de 2011

Aniversariedade*

Confesso que há algum tempo que tenho um pouco de aversão a essa data, a da aniversariedade. Telefonemas, mensagens, abraços e sorrisos nessa data me constrangem um pouco. Fico feliz em recebê-los, claro, mas não quero que seja uma obrigação para ninguém e nem para eu recebê-los...
Palavras como essas soam de uma maneira mais egoísta do que realmente são em mim.
Dentro, o que acontece segue a linha da saudade, não do egoísmo. O dia me faz querer voltar. Querer um tempo que não volta mais.
Seria o peso da idade sobre mim? Seria esse peso gerando esse sentimento sobre mim?
Estaria eu correndo do que é inevitável a todos nós? E por isso renegar a proximidade dessa data?
Resisto a ela. Fujo dos pensamentos sobre ela.
...
Primeiro telefonema.
Primeira mensagem de texto.
Primeiro abraço.
Primeiro sorriso.
...
E me esqueço das minhas preocupações. E já me rendo à beleza do dia.
E relembro o porquê de comemorarmos o dia de nossos nascimentos.
Agradeço a cada um. Sorrio.
Agradeço a Deus por mais um ano.
E quero que o próximo seja perto dessas pessoas que quebram minha resistência e acabam com meus medos.
Nem a idade pode contra a amizade.
A amizade me faz enxergar.
A idade não pode me atrapalhar a viver o que nasci para ser.
A idade não pode me paralisar, porque tenho pessoas para me lembrar disso.
Sabe, a “aniversariedade” não pode é nunca roubar aminha liberdade, a minha vontade de viver.
Por mais que os ciclos venham e passem, e eu sinta falta deles, isso não pode me impedir de enfrentar e me aventurar no que vem pela frente.
Uma nova primavera chega e tudo novo, com certeza, passarei a enxergar.
Uma nova primavera chega e, de novo, volto a sonhar.

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Por ocasião do meu aniversário e para expressar um pouco do que se passou dentro de mim nos dias que se antecederam a ele e durante ele, de fato.
*Termo inventado por mim. Aniversário aglutinado com idade, dá aniversariedade. Aniversariedade é uma síndrome que precede a data do aniversário, traz medos e vontade de nem comemorar a data. No texto a tratei como o dia do aniversário em sim, mas entendam como um período maior de tempo. Como já mencionei no texto, deve ser curada com um remédio barato, mas valiosíssimo: a amizade.

sábado, 11 de junho de 2011

Colheita

"In me, in you
fiends, explorers
babes with coats of arms
A world inside us
A feast, a harvest
Each soul a son, a star

We are wandering where the wild wind blows
We are happy here 'cause the wild wind knows what we are
Orphans, kingdoms
Orphans, kingdoms

Eat and drink for tomorrow we die
We will look our maker in the eye
Raise a flagon and drink to your health
Who is he that can conquer himself?"

Caminhar sem sair do lugar.
Encontrar-me.
Eu em outra pessoa?
Eu em mim mesmo?

Cantar sem emitir sons.
Ouvir-me.
Muitas vozes dentro de mim?
Quem deveria ouvir?

Música sem dança?
Tempo de trabalho.
Alegria sem sorriso?
Tempo de compromissos. Antes buscados e ansiados.

Um mundo dentro de nós.
Nem tudo é sintonia.
Nem tudo chega ser bela melodia.
O que a vida escreve nem sempre é o que gostaria de escrever.

Tudo tem um tempo determinado.

Nossa Festa.
Vai chegar. Eu sei.
Será música e dança.
Liberdade e canções.
Porque nossa colheita chegou.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Fim (-Série Eternidade)

Tudo tem um fim.
Questiono-me se tudo tem é um recomeço? Seria possível recomeçar algo que aparentemente estava acabado para sempre?
Sou como uma relva que hoje existe e amanhã já não existe mais. Voltaria eu a viver?
Voltaria você a viver?
Penso e me apego aos ensinamentos antigos. De profecias antigas, são boas novas.
Para todos, é possível e é oferecido um renascer.
Quero reviver.
Mas aí, sim, terei de dar fim completo às vozes que me dizem que essas Palavras são mentira. Fim ao medo de largar o que me prende e me jogar nesse imenso mar. Imenso e Eterno mar.

domingo, 1 de maio de 2011

Cataratas

A natureza me envolve. Vejo-me rodeado de bichos nunca antes vistos tão de perto. Alguns ficam parados esperando a gente passar. A natureza nos recebe muito bem. Surpreende-nos.
Ouço um barulho intermitente de água. Muitas águas. As mais belas águas.
Caminho perto delas e me maravilho. Sigo em direção às suas quedas belas e hipnotizantes.
Estaco em meio a tanta beleza. Realizo o quanto não sou nada perante a sua grandeza.
Aproximo-me mais, mais maravilhado fico. Rendo-me.
Os céus proclamam...
A natureza fala...
Eu ouço sobre o Deus Todo Poderoso neles. Oro. Agradeço.
Ele é grande, tremendo. E eu não sou nada diante do Seu Poder.
Recordo-me de Seu sacrifício e me pergunto:
“Como, Mestre, se fez tão pequeno tendo tamanha força?”
Ele me responde com Sua Voz de muitas águas, responde-me com aquela bela e inexplicável visão.
“Tudo isso porque o amo. Sendo pequeno, mais uma vez, mostrei a você meu poder, morrendo e voltando a viver”.
Louvo ao Deus Criador, que se revela em sua criação e mesmo sendo tão grande me ama ao ponto de pensar em tanta beleza e se fazer tão pequeno.
Obrigado é o que repito por todo o resto do caminho. Cantando junto com as águas a grandeza de Deus.
Louvado seja! Louvado seja!
Quero com esse Deus caminhar e em Seu Poder sempre confiar!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Série - Eternidade

Por vezes, começamos projetos e não terminamos. Não quero que essa série seja algo assim. Até porque seu título não me permitiria isso. A Eternidade é algo que me atrai e em outros textos já a mencionei, mesmo que indiretamente. Nessa série, sou mais direto e falo sobre a minha maneira de vê-la, o que inclui os momentos antes de sua chegada, no qual estamos vivendo. Você pode discordar de mim, mas se permita embarcar na maneira como a vejo e garanto a você, caro leitor, que vai ser, pelo menos, uma viagem interessante!

Dois textos da série seguem a seguir. Rápidos, bem diferentes de como a Eternidade se dará!



Batalha

Seco.

Coração distante.

Vida vazia.

Emoção fria.

Caminhar sem sentido.

Inverno, em seu auge, quando a beleza se esconde.

Sequidão. Indiferença.

Por mais que os olhos assim vejam, é sinal de que o bem triunfará.

Quando tudo parecer dor, erga os olhos, una as mãos e faça uma oração, porque a mudança está chegando.

O máximo de aflição chegou.

E o Grande Guerreiro vem.

A Eternidade se fará presente.



Cântico

Quero cantar pelas ruas a beleza.

Sem restrição viver o que nasci para ser.

Cheirar e tocar o AMOR.

Dançar conforme a melodia da Eternidade.

Um vislumbre de Sua Glória agora,

E muda a minha vida.

Sem amarras. Livre sou.

Meu cálice transborda.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Páscoa

"Depois de tanto sofrimento, ele será feliz, por causa da sua dedicação, ele ficará completamente satisfeito. O meu servo não tem pecado, mas ele sofrerá o castigo que muitos merecem, e assim os pecados deles serão perdoados. Por isso, eu lhe darei um lugar de honra; ele receberá a sua recompensa junto com os grandes e os poderosos. Pois ele deu a sua própria vida e foi tratado como se fosse um criminoso. Ele levou a culpa do pecado de muitos e orou pedindo que eles fossem perdoados".
(Isaías 53. 11 e 12)

Deus que passa.
Ele passou por aqui.
Não o reconheci.
Não o reconhecemos.
Nem mesmo olhávamos para Ele.
Nós o desprezávamos.

Deus que passa.
Ele veio aqui.
Carregou a minha dor.
Eu nem agradeci.
Fez-se servo.
Eu não quis seguir seu exemplo.

Deus que passa.
Despiu-se de sua glória.
Ficou desfigurado.
Horror para os meus olhos.

Deus que passa.
Sofrimento. Castigo. Desprezo.
Dor. Dor. Dor.
Sofrimento humilde.
Castigo imerecido.
Desprezo e dor.
Sabe o que é padecer.

Deus que passa.
Era para ter sido eu.
Mas as minhas enfermidades levou.
Sarado sou.
Mas a minha punição sofreu.
Curado sou.

Páscoa:
Deus que passa.
Seu lado furado devia ter sido eu.
Amor sem explicação.
Felicidade para quem encontra.
Sem palavras hoje fico,
diante do Deus que passou por aqui.


*Notas:
.Por ocasião dos estudos sobre a Páscoa e seu significado, na Igreja Presbiteriana de Viçosa (IPV). 30/03/2011. Outono.

.Páscoa é o mistério da passagem de Deus pela Terra e pela existência humana a fim de proporcionar a passagem da morte para a vida plena; da perdição do pecado para a salvação. (Pr. Jony Wagner de Almeida - Ministro da Igreja Presbiteriana de Viçosa)

domingo, 27 de março de 2011

Títulos

Esses são alguns dos títulos os quais um dia achei que dariam bons textos, mas que por alguma eventualidade ou disciplicência minha nunca chegaram a nascer:


"Rodoviária"
"Rei das moscas"
"O poema demorou a surgir"
"Meu Filho"
"Irmão"
"Amizades e sobre elas"
"Guarda-chuva"
"Sacrifício"
"Sobre a frustração"
"A little one waits"
"Languages"


Bem, agora, você tem total liberdade de escrever os textos para esses títulos!
Não significa que não escreverei nunca um texto que se encaixe neles, significa que dou a você a oportunidade de dar vida a esses títulos, ao seu modo, com a sua visão.
Enxergo esses títulos de um jeito, porém gostaria de vê-los em outras pernas, com outros corpos, já que tenho sido ineficiente para dar forma e gerá-los.
Se escrever algo para eles, avise-me. Vai ser um prazer, meu amigo leitor e contribuidor, ler a sua composição e, quem sabe, postar o texto aqui.


.Por estar em dívida com minhas amigas Izadora e Sabrina. Entendam que, no meu caso, a transpiração só vem depois da inspiração. Raramente, antes. É assim que escrevo.

sábado, 5 de março de 2011

Hoje Voltando

“O amor conforta, como o sol depois da chuva.” (William Shakespeare)
“Pois é, às vezes, o passado nos visita com uma coisa boa”. (Alguém)

Hoje, voltando, eu vi os campos bem lavados. Sabe, depois da chuva.
Estava tudo verdinho e bem regado pela claridade de um belo Sol pós-chuva.
Eu vi bois pastando, calmamente; gente boa me vendo passar pela janela; árvores de vários tipos...
Tinha alguns voltando, de bicicleta, de seus trabalhos, numa vida bem simples e boa de se viver. Lembrei que eu também estava retornando, à minha maneira, serenamente, para minha casa, pra minha vida boa de viver.
As cidades por onde passei, hoje voltando, me receberam cada uma com seu ritmo. Não mudaram ao me ver passar, mas mesmo assim me senti acolhido. Quando você é de casa, não precisa de cerimônias, como diria um amigo meu.
A conversa na sacada. O menino correndo. O pai com a criança no colo. Expressões do cotidiano que muito me agradaram.
Perguntei-me se mais alguém estaria reparando. Espero que sim. Foi lindo voltar e perceber que a vida continua e me abraça sempre que me vê e não apenas eu a vejo.
Sinto-me amado e acolhido, onde estou e para aonde vou. Voltar sempre me leva ao passado, mas sei que estou avançando para o futuro. Confuso, eu sei, mas basta que eu saiba o que essas palavras significam. Cada retorno e ida sempre são muito pessoais, mas gosto de relatar meu caminho.
Estou sempre disposto a embarcar.
Bem-vindo ao trem da vida.



quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Satisfações sobre o Tempo

"Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio".
Salmo 90.12

Gosto de falar do tempo. Muito do que falo aqui se refere a ele. Tento me desvencilhar, mas não consigo.
De uma forma ou de outra, a palavrinha tempo ou suas derivadas acabam aparecendo.
O que posso fazer?
O que posso fazer se ele insiste em me envolver? O que posso se ele é parte de mim e me obriga a fazer constatações sobre ele?
O tempo e a aprendizagem. O tempo e o crescimento. O tempo e a transitoriedade da vida.
Ele já é parte suficiente, não posso ignorá-lo, por mais que, às vezes, queira.
Ninguém pode. Todos se esbarrarão com ele algum dia e terão de conversar.
Tenho tido ótimas conversas. Ele tem me ensinado muito.
O tempo. Por um tempo. E a eternidade chegará e não seremos mais companheiros de caminhada, mas ficarão seus ensinamentos e a sensação de que ele cumpriu seu dever, levando-me ao encontro do infinito.

*Pensando no meu tempo de férias, que está se acabando.
*Ao som de O mais Puro Amor da Ana Paula Valadão. Música recheada de tempo.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Tentativas

I'm not a poet.
This is not a poem.
At least, I've never seen it like this.
Ever seen me like that.
Nobody ever called me a poet.
Just texts are what I know how to do.
What, surely, makes me a writer.
But not a poet.

You know, this feeling that something is getting out of me.
It has to do with the fact I cannot create good poems.
The words flow from within, but I want the melody of poetry.
The song of the poems.

...

4:00 am

Time is around me.
I'm bound in and with it. There's no way to ignore it.
4:00 am doesn't make a song. It doesn't give me a song.
Just bring to my real and short life the waiting to be doing right, not wrong.

...

Notes:
*About the title: It was the only word that I didn't know how to write in English.
**About 4 am: It was written around 4:25 am.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Tecido

Um grande tecido.
É o que vejo.
É no que me tornei, agora. É como me visualizei.
Costumava ser torcido. Todo cheio de nós.
Mas, Você, com paciência, veio e os desfez. Desamassou-me.
E, finalmente, pude ver do que era composto.
Percebi que sou boa parte branco e que existem alguns pedaços coloridos repletos de desenhos infantis, provavelmente, da época que pintava e me deixava ser pintado, n'um mundo inocente e bonito que é o das crianças.
Depois, fui me amassando e me enrolando.
Nós vieram e poucas foram as coisas que, a partir daí, puderam ser em mim desenhadas.
Hoje, Sua simplicidade de Grande Costureiro me transformou n'um belo tecido.
Pronto para ser de novo preenchido e delineado pela bela HISTÓRIA que Você vai escrever em mim.
Dizendo quem eu sou e o que quer que eu tenha para divulgar.
Porque Você é o Grande Artista e, eu, mais do que um pedaço de pano, sou peça de arte nas Suas Preciosas Mãos.

...
.Escrito numa quinta, 06/01/2011. Primeiro texto do ano. Foi regado pela música "De Dentro pra Fora" do amigo Diego Aquino (MySpace), alguém que vale a pena ser ouvido.