sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Lembranças: Sobre três filmes, a indiferença e um passeio

__ Bom dia! – disse Bilbo, sinceramente. O sol brilhava, e a grama estava muito verde. Mas Gandalf lançou-lhe um olhar por baixo de suas longas e espessas sobrancelhas, que se projetavam da sombra da aba do chapéu.
__ O que você quer dizer com isso? – perguntou ele. – Está me desejando um bom dia, ou quer dizer que o dia está bom, não importa que eu queira ou não, ou quer dizer que você se sente bem neste dia, ou que este é um dia para se estar bem?
__ Tudo isso de uma vez – disse Bilbo. (...)
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Trecho do livro “O Hobbit” de J. R. R. Tolkien, publicado no Brasil pela editora Martins Fontes (http://www.martinsfontes.com.br/)
...

Acordei disposto hoje. Mamãe saiu logo cedo, deixando-me sozinho em meus sonhos. Levantei tarde. Descobri que estava com fome e vontade de ver TV, mais especificamente, desenho. ‘Ah, as férias acabando e nem parei para assistir desenho. Que ultraje!’ – pensei.
Lembrei-me, então, que não tinha assistido aos filmes a que tinha me proposto no começo das férias. Planos! Fazemos tantos, mas, por vezes, não os executamos.
Mas esse eu tinha de executar. Oras! Tomei meu café da manhã. Comi pouco, três bolachas salgadas com manteiga e uma xícara de café, pois já estava quase na hora do almoço.
Mãe voltou.
Almoçando, conversamos sobre minha vontade de ver alguns filmes hoje. Resolvi esperar minha irmã voltar do trabalho para irmos juntos alugar os três filmes que eu tanto queria assistir. Ela chegou, mas apenas ligou para a locadora com o intuito de verificar e reservar os filmes para eu ir buscar.
Arrumei-me e fui.
Sem problemas. Cheguei à locadora e peguei os três filmes, satisfeito com meu nada grandioso ato. Caminhando e saindo do local da locadora – um supermercado de proporções consideráveis –, avistei um caminhão. Ah, reconheceria aquele caminhão de longe. Ele é de um velho amigo.
Pensei em retornar ao supermercado para procurá-lo. Ele só podia estar lá dentro, já que o veículo estava do lado de fora do local. Prossegui, ignorando meu impulso. Mas eu queria tanto vê-lo! Fiquei com aquilo na cabeça os poucos passos seguintes que dei. Andava, agora, obstinado. Tinha de atravessar a rua. Toda a atenção. Ouvia mp4. Quando estava para realizar a ação. Ouço assovios.
Para minha surpresa era meu velho e saudoso amigo. Amigo de grandes aventuras. O dono do caminhão. Estava sentado em um beiral e balançava as pernas, como um menino. Conversamos, matamos a saudade... Porém, não sei ao certo por que, eu fiquei inquieto, com vontade de ir embora. Não sei. Lembranças antigas, eu acho. Não tão boas e que não deviam estar na minha mente naquele momento prazeroso. Um pé atrás, foi isso que aconteceu. Que coisa! Não podia. Quanta indiferença, é essa a palavra. Devia ter me sentado ao lado dele e ter papeado muito. Saber dele e ele saber mais de mim.
Despedi-me. Corri para o ponto. Recoloquei os fones de ouvido. Veio o ônibus e vi que era um, cujo trajeto seria bem maior do que o necessário para eu voltar para casa. Deleite-me com a idéia! Passear. Rever paisagens que de outra forma não veria antes de voltar das férias.
Peguei o ônibus. Fone nos ouvidos, livro em mãos. Gosto de ler enquanto ando de ônibus. Isso não me atrapalhou a levantar os olhos e observar as tão saudosas paisagens dos tempos que ainda sonhava em conquistar outros horizontes, além daqueles.
De repente, vi pedras, em uma determinada parte do trajeto. Elas fazem parte do rio de minha cidade tão querida, constatei. Mas como não observei o rio antes? Ele estava lá, já no ponto de ônibus. A indiferença gritou de novo. Como não contemplei o rio que corta a cidade, já no ponto de ônibus, onde não veria apenas pedras, mas também suas turvas águas.
Choque!
A viagem prosseguiu. Com a diferença de que redobrei minha atenção aos detalhes. Chega de insensibilidade por hoje, meu inconsciente deve ter me alertado.
Passei por um bairro que tem ruas espaçosas. Lembrei-me de meus tempos de infância. Era tão bom correr pelas ruas de meu bairro. Saudade.
Já em casa, assisti a um dos filmes, sozinho. Minha irmã estava dormindo. Foi bom.
Saldo do dia, se é que posso estimá-lo, positivo. Quero perceber mais as coisas que estão a minha volta.

2 comentários:

anja disse...

Lendo lembranças: sobre três filmas, indiferença e um passeio, refleti sobre o que isso significa pra mim, o penso, qual minha concpção sobre elas..
Bom, para mim, os bons filmes apenas são edições de nossa imaginação, frutos de nosso aparelho psiquico, flash de algo que vimos ou vamos ver, onde sempre tem uma cena em sentimenos um momento de identificação, ou algum flash do inconsciente. Passeio é um momento de recordar algo, reviver algum sentimento, ou viver algo novo... Indiferença, a tal indiferença, insuportável para mim, e se ela me encomoda, logo ela existe em mim. Ela faz parte a todo momento da minha vida, em cada segundo, ou sou indiferente com o sentimento de alguém ou com o meu própio, indiferente com os politicos, com a situação de uma cidade, com a vida de um doente na fial do hospital, da criança que sofre, com uma vida que precisa conhecer o tão grande amor daquele que em nenhum momento se faz indiferente. Que me ama acima de qualquer circunstancia, e dificuldade. Aquele que é o que move minha vida para que os momentos sejam todos de grande valia, e que e está presente em cada recordação, sentimento, e em cada movimento meu. Eu penso que tenho sido o ser mais indiferente com todas as coisas que estão ao meu redor. Afinal ele só tem feito a diferença em minha vida.

lucas rolim menezes disse...

uma boa noite pra você!

bons detalhes percebidos no próximo dia.

Abraços