sexta-feira, 20 de março de 2009

Wer Bin Ich? Quem Sou Eu?

Um poema de Dietrich Bonhoeffer que há poucos dias ouvi e agora compartilho... Espero que tenham emoções semelhantes as de quando eu o ouvi pela primeira vez.


Quem sou eu? Freqüentemente me dizem
Que saí da confinação da minha cela
De modo calmo, alegre, firme,
Como um cavalheiro da sua mansão.

Quem sou eu? Freqüentemente me dizem
Que falava com meus guardas
De modo livre, amistoso e claro
Como se fossem meus para comandar.
Quem sou eu? Dizem-me também
Que suportei os dias de infortúnio
De modo calmo, sorridente e alegre
Como quem está acostumado a vencer.

Sou, então, realmente tudo aquilo que os outros me dizem?
Ou sou apenas aquilo que sei acerca de mim mesmo?
Inquieto e saudoso e doente, como ave na gaiola,
Lutando pelo fôlego, como se houvesse mãos apertando minha garganta,
Ansiando por cores, por flores, pelas vozes das aves,
Sedento por palavras de bondade, de boa vizinhança
Conturbado na expectativa de grandes eventos,
Tremendo, impotente, por amigos a uma distância infinita,
Cansado e vazio ao orar, ao pensar, ao agir,
Desmaiando, e pronto para dizer adeus a tudo isto?

Quem sou eu? Este, ou o outro?
Sou uma pessoa hoje, e outra amanhã?
Sou as duas ao mesmo tempo? Um hipócrita diante dos outros,
E diante de mim, um fraco, desprezivelmente angustiado?
Ou há alguma coisa ainda em mim como exército derrotado,
Fugindo em debanda da vitória já alcançada?

Quem sou eu? Estas minhas perguntas zombam de mim na solidão.
Seja quem for eu, Tu sabes, ó Deus, que sou Teu!

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Dietrich Bonhoeffer foi um grande teólogo protestante alemão, considerado um dos mais relevantes do século XX. Perseguido e aprisionado pelo nazismo, foi enviado a um campo de concentração, onde foi executado, já em fins da Segunda Guerra.

Perguntas!


Quem é esse que me oferece nova chance?
Quem é esse que me vê sem restrições?
Quem é esse que me aceita como eu sou?
Quem é esse que faz o feio tornar-se belo?
Quem é esse que é meu amigo mais que íntimo?
Quem é esse que está comigo em todo tempo?
Quem é esse que na minha solidão me completa?
Quem é esse que não pode negar-se a si mesmo e permanece fiel?
Quem é esse que torna a sabedoria dos sábios loucura?
Quem é esse que se torna fraco sendo forte?
Quem é esse que se torna pobre sendo rico?
Quem é esse que me causa desespero para estar com Ele?
Quem é esse que desejo tanto que outros conheçam?
Quem é esse que desejo estar junto para sempre?
Quem é esse que amo tanto?

A esse eu louvo! A esse bendigo! Com esse exulto!

Do (subjetivo e, por vezes, confuso) quarto 6

Cheguei há, exatamente, duas semanas e três dias, contando apenas até a data presente da escrita desse texto!

Os dias por aqui parecem meses. Meses de aprendizado e crescimento. Não poucos já devem ter dito isso, mas para mim soa tão íntimo que ouço usar essas palavras de maneira tal que quando as pronuncio elas ficam ecoando em minha mente e coração por alguns minutos a mais após tê-las falado e, o outro, ouvido. Para o próximo elas já passaram, porém para mim elas ainda se fazem presentes, mesmo já tendo mudado de assunto.


Meses, meses, meses...

Aprendizado, aprendizado, aprendizado...

Crescimento, crescimento, crescimento...

Tempo, tempo, tempo...


Vivo-as! E ordená-las talvez seja difícil, porque todas se passam juntas, entrelaçadas, no mesmo trem da plenitude 'incompleta'.


Marcas em mim têm se formado desse tempo grande, mas, em comparação com outros, tão pequeno.

Tantas amizades e acolhimento recebi que mal os posso segurar. São maiores, assim como o tempo. Amizades de infância construídas em um só olhar, aperto de mão, um abraço ou, ainda, em uma só palavra!

A saudade é suportada, o choro é segurado por causa desses que empregam um pouco do seu olhar, aperto de mão, abraço ou palavra para trazer em mim descanso e segurança.


A vida segue seu curso, mas também revela agradáveis surpresas.

Guardei o que me disseram antes de minha chegada: Sê forte e corajoso! Não Temas!

Descobri que não preciso temer... (PAUSA)

Todavia, foi na prática que eu encontrei a coragem!

Fui ou vim. Cheguei. Sobrevivi ao primeiro impacto da solidão, ao segundo, ao terceiro... Nas mínimas coisas, passo após passo, tarefa após tarefa, lágrima após lágrima.


Apoios que jamais esquecerei me ajudaram nesse começo de minha nova jornada. A cada gesto, mesmo que mínimo, eu sou grato. Uma mensagem de celular, um olhar amigável, uma mão estendida, uma palavra de boas-vindas, um comunicado de algum evento, um sorriso...

A alguns ainda agradecerei quem sabe aqui, onde agora resido, em meu quarto número 6, do prédio número 30.